domingo, 28 de agosto de 2016

Destino

Música tema
                 
          Eu nunca pensei que me apaixonaria por mais alguém. E no fundo eu sabia que isso era uma lorota, que logo meu coração idiota iria bater mais forte por outro sorriso. E que consequentemente, também iria sentir alfinetadas agudas por decepções... De novo. Mas toda vez que ele me olhava com aqueles olhos castanhos, eu me esquecia disso. Na verdade, eu me esquecia de tudo. 
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h30min17s. Ela  senta em um banco sombreado e vazio de uma praça, abre um clássico do Machado e o lê despreocupada com o caos em volta.
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h34min25s. Ele avista o banco e a garota - mas não seu rosto - lendo um livro. Curioso para saber qual o título da obra, ele se aproxima e anda lentamente em zigue-zague.
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h36min28s. Ela desconcentra-se da leitura com a sensação incomoda de está sendo observada e ligeiramente levanta a cabeça fechando o livro. Ela o vê.
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h36min32s. Ele envergonhado pede desculpas. E logo se senta no canto do banco, em uma distância grande considerando um banco tão pequeno.
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h36min35s. Ela diz que ele não a atrapalhou e que o livro realmente estava maçante. 
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h36min42s. Ele logo dispara a pergunta que queria ter feito desde que havia visto ela. 
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h36min44s. Ela o responde.
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h36min45s. Ele entusiasmado fala que já leu o livro e que é um dos seus favoritos.
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h36min47s. Ela diz que é um dos livros mais chatos que leu na vida. E que é a segunda vez que tenta terminar a leitura.
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h36min52s. Ele por alguns instantes não sabe o que dizer para convencê-la de que o livro é realmente bom. Mas depois de um silêncio constrangedor, ele fala que o final do livro é o que o faz ser tão bom.
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h37min03s. Ela diz que não consegue passar da metade do livro e ri pela ocasião.
Domingo, 10 de Julho de 2016, às 16h37min07s. Ele assiste o deslumbrante sorriso dela e pergunta o seu nome. 
Domingo, 10 de Julho de 2016. Eles conversam e riem aquele fim de tarde inteiro, trocam números e marcam de se encontrarem no dia seguinte no mesmo banco.
       A maioria dos dias do ano são comuns. Eles começam e terminam, sem nenhuma memória durável nesse tempo. A maioria dos dias não tem impacto no decorrer da vida. Mas aquele dia foi diferente.
     Em uma tarde de crepúsculo quando andava desamparada depois de um término de namoro de cinco anos, eu o conheci... O mais novo amor da minha vida. Estava eu lendo numa praça, coisa estranha de se fazer depois de uma dessas, mas foi a única coisa a se fazer que me passou pela cabeça no momento. Então ele apareceu interrompendo a minha leitura, e eu agradeci por isso. Imagina só se aquele se estranho passasse por mim como um devaneio? Se ele não tivesse sentado naquele banco? E invés disso ter saído de fininho sem prestar contas? Mas não, ele ficou. Não que ele tivesse de ficar, ele quis ficar. E se eu não tivesse ido para aquela praça? E invés daquela praça eu tivesse ido para outra? A uma cafeteria, ou sei lá, uma biblioteca? Mas não, eu estava ali. Eu quis estar ali. E para minha sorte, sentada naquele banco e não em qualquer outro.




2 comentários:

  1. Maravilhoso, maravilhoso! É a única coisa que eu consigo falar depois de ler esse texto 💙

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